Cotações da soja em Chicago trabalharam com forte viés de baixa

As cotações da soja em Chicago trabalharam com forte viés de baixa durante a semana, tendo atingido a US$ 10,02/bushel no dia 07/05. Posteriormente, melhoraram um pouco fechando a quinta-feira (10) em US$ 10,13/bushel, contra US$ 10,43 uma semana antes. A cotação do dia 07/05 não era vista desde o dia 12 de fevereiro passado, ou seja, Chicago perdeu praticamente todo o ganho conquistado a partir do momento em que se iniciaram as informações a respeito da quebra da safra de soja da Argentina. Dito de outra maneira, Chicago parece retornar às posições de meados de fevereiro passado.

Diversos são os motivos que levam a esta situação. Em primeiro lugar, o conflito comercial entre EUA e China. As reuniões entre os dois países, na semana passada, não resultaram em acordo e a tensão sobre o mercado continua. Desde o dia 10/04 a China não compra mais soja dos EUA, além de ameaçar colocar uma tarifa de 25% sobre o valor da oleaginosa estadunidense em suas importações. Em segundo lugar, o clima nos EUA está desfavorável ao milho e favorável à soja. Assim, neste dia 10/05 fechou a janela de plantio que deveria indicar uma área semeada com milho em 50% (até o dia 06/05 tal área atingia a 39%, contra 44% na média histórica). Esta situação de atraso no plantio do milho tende a elevar a área semeada com soja.

Neste sentido, até o mesmo dia 06/05 tal área havia sido semeada em 15%, contra 13% na média histórica para esta época. Em terceiro lugar, os Fundos, diante do quadro geral existente, se desfizeram de posições compradas, gerando pressão de venda em Chicago. Mesmo assim, durante a semana eram contabilizadas 177.000 posições líquidas no lado da compra de soja de posse dos Fundos. O mercado espera vendas entre 10% a 20% destes contratos nesta semana e na próxima. Enfim, o mercado se preparou para o relatório de oferta e demanda anunciado pelo USDA neste dia 10/05.

O mercado esperava o anúncio de uma projeção de safra nos EUA, para 2018/19, em 117,3 milhões de toneladas, contra 119,5 milhões no ano anterior. Para os estoques finais estadunidenses eram esperadas 14,9 milhões de toneladas, ficando no mesmo nível do ano anterior. Em termos de produção mundial, a expectativa era de estoques finais em 91,1 milhões de toneladas, contra 90 milhões neste atual ano comercial (volume revisado para baixo). Para a safra brasileira que está se encerrando o volume esperado era de 116,6 milhões de toneladas e para a da Argentina 38,6 milhões de
toneladas.

Paralelamente, as vendas externas estadunidenses foram fracas, pois nenhum exportador deseja se comprometer com a China diante do atual quadro de litígio comercial entre os dois países. Já na Argentina, as exportações de soja ficarão em apenas 7 milhões de toneladas neste ano, ou seja, 30% abaixo do registrado no ano anterior. Por sua vez, o esmagamento de soja no vizinho país ficaria em 40 milhões de toneladas, com recuo de 2% sobre o ano anterior (cf. Safras & Mercado). Diante da forte quebra ocorrida em sua safra deste ano, os argentinos, além de importarem soja, cortarão fortemente a exportação do grão para atender a demanda do esmagamento. Isto poderá acalmar os preços do farelo de soja em Chicago nas próximas semanas.

Aqui no Brasil, o câmbio continuou sendo o elemento central na definição dos preços da soja. O Real continuou sua depreciação, chegando a R$ 3,60 no transcorrer da semana. Além dos fatores internos e externos já conhecidos, pesou, como novidade, a forte crise econômica na Argentina, onde o juro básico acabou sendo elevado para 40% ao ano (no Brasil o mesmo está em 6,5%), a inflação avança para 30% ao ano e o peso sofreu forte desvalorização. O quadro é tão sério que o governo Macri está solicitando empréstimo do FMI para enfrentar o problema, já que as reservas cambiais argentinas estão muito baixas, ao redor de US$ 56 bilhões (as reservas brasileiras são de US$ 380 bilhões).

Mesmo assim, o câmbio não conseguiu impedir o efeito baixista vindo de Chicago, mesmo com os prêmios nos portos do sul do país se elevando um pouco (oscilaram entre US$ 0,86 e US$ 0,95/bushel neste final de semana). Desta forma, houve recuo nos preços da soja nesta semana em relação à semana anterior. O balcão gaúcho fechou a semana na média de R$ 76,36/saco, enquanto os lotes ficaram entre R$ 80,50 e R$ 81,00/saco. Nas demais praças nacionais os lotes oscilaram entre R$ 70,50 em Sinop (MT) e R$ 80,50 em Abelardo Luz (SC), passando por R$ 80,00/saco no centro e norte do Paraná; R$ 72,00 em Chapadão do Sul e São Gabriel (MS); R$ 73,00 em Goiatuba (GO); R$ 74,00 em Pedro Afonso (TO) e R$ 75,50/saco em Uruçuí (PI) (cf. Safras & Mercado).

Apesar das fortes altas nos preços da soja, a comercialização da atual safra não saiu do normal, porém, ficando bem acima do registrado no ano passado, quando os preços foram até R$ 20,00/saco menores na maioria das praças nacionais. Assim, até o dia 04/05 as vendas de soja no Brasil atingiam a 62% do total, contra 61% na média histórica e 50% no ano passado. No Rio Grande do Sul, até o dia 04 de maio, as vendas atingiram a tão somente 48%; no Paraná 50%; no Mato Grosso 75%; no Mato Grosso do Sul 59%; em Goiás 65%; em São Paulo 64%; em Minas Gerais 65%; na Bahia 65%; em Santa Catarina 33%; no Maranhão 77%; no Piauí 65%; e no Tocantins 74% (cf. Safras & Mercado). Enfim, a colheita da atual safra atingia a 99% da área brasileira semeada, contra 97% na média histórica até o dia 04/05.

Fonte : Agrolink com inf. de assessoria