Cotações da soja em Chicago voltaram a ceder nestes últimos dias de outubro

As cotações da soja em Chicago voltaram a ceder nestes últimos dias de outubro, alcançando o valor de US$ 8,33/bushel no dia 30/10. Porém, um forte ajuste técnico no dia 01/11 (quinta-feira) fez o bushel subir para US$ 8,69 no fechamento deste dia, contra US$ 8,41 uma semana antes. A média de outubro ficou em US$ 8,59, contra US$ 8,34/bushel em setembro.

O bom avanço da colheita, após o retorno do clima seco no Meio-Oeste dos EUA, associado ao enfraquecimento das exportações estadunidenses da oleaginosa estiveram no centro do comportamento baixista de preços.

Quanto à colheita, a mesma atingiu a 72% da área até o dia 28/10, contra 81% na média histórica, se recuperando bem em relação ao atraso das semanas anteriores. Ao mesmo tempo, as condições das lavouras estadunidenses a colher permaneciam com 66% entre boas a excelentes e 12% entre ruins a muito ruins.

Já em relação às exportações líquidas de soja, para o ano 2018/19, as mesmas somaram 212.700 toneladas na semana encerrada em 18/10. Para 2019/2020 o volume ficou em apenas 1.000 toneladas. A soma dos dois anos ficou bem aquém do esperado pelo mercado, que avançava um volume entre 300.000 e 800.000 toneladas. Por sua vez, as inspeções de exportação estadunidenses de soja chegarama 1,3 milhão de toneladas na semana encerrada no dia 25/10, acumulando no atual ano comercial, iniciado em 1º de setembro, um total de 7,3 milhões de toneladas, contra 12,4 milhões em igual momento do ano anterior. 

Na prática, a guerra comercial entre EUA e China reduziu fortemente as exportações de soja estadunidense, com o volume inspecionado ficando 41% abaixo do mesmo período do ano passado. “Normalmente os Estados Unidos exportam metade de sua soja no quarto trimestre, antes dos compradores se voltarem à safra a ser colhida na América do Sul. Com a janela de exportações fechando, os produtores provavelmente deverão estocar amplos volumes.”, fator baixista para as cotações. (cf. Safras & Mercado) Todavia, e momentaneamente, a recuperação nas exportações mais para o final de outubro e as boas perspectivas para novembro alimentaram o ajuste técnico altista no dia 1º de novembro.

Em relação ao conflito comercial sino-americano o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse acreditar que haverá "um grande acordo" comercial com a China, mas alertou que tem bilhões de dólares em novas tarifas prontas para entrarem em vigor se um acordo não for possível. Washington estaria se preparando para anunciar tarifas sobre todas as importações chinesas remanescentes no início de dezembro, caso as negociações no próximo mês entre Trump e o presidente chinês, Xi Jinping, não consigam amenizar a guerra comercial. (cf. Reuters e Bloomberg, citadas por Safras & Mercado)

Vale destacar ainda que um novo relatório de oferta e demanda do governo estadunidense está previsto para o dia 08/11.

Por sua vez, no Brasil, com o câmbio estacionando entre R$ 3,65 e R$ 3,75 por dólar, os preços locais continuaram recuando. A média gaúcha no balcão ficou em R$ 77,03/saco, contra R$ 78,21 na semana anterior. Quanto aos lotes, seus valores médios fecharam esta semana entre R$ 82,00 e R$ 82,50/saco. Nas demais praças nacionais, os lotes oscilaram nos seguintes valores: R$ 67,00/saco em Sorriso (MT); R$ 81,00 no norte do Paraná; R$ 71,50 em São Gabriel (MS); R$ 76,00 em Goiatuba (GO); R$ 83,00 em Campos Novos (SC); R$ 74,00 em Uruçuí (PI) e R$ 71,00/saco em Pedro Afonso (TO).

Nestas condições, o ritmo de negócios no mercado interno continuou lento, com os preços recuando.

Enfim, o plantio da nova safra da oleaginosa, até o dia 26/10, chegou a 44% da área esperada no Brasil, contra 27% na média histórica para esta época do ano. No Rio Grande do Sul o mesmo atingia 5%, no Paraná 62%, Mato Grosso 74%, Mato Grosso do Sul 58%, assim como em Goiás, São Paulo 30%, Minas Gerais 40%, Bahia 15% e Santa Catarina 20%. No conjunto dos demais Estados produtores, o plantio atingia a 5% da área. Todos os Estados indicando um plantio bem mais avançado do que a média histórica, porém, em relação ao ano passado Paraná, Mato Grosso do Sul e São Paulo estão atrasados.
 

Fonte : CEEMA / UNIJUI