Mudanças, inovações e transformações no futuro da carne

Ampliar o nível de informação aos consumidores sobre os produtos cárneos é uma tendência inexorável, de acordo com a engenheira de alimentos Aline Meloni que encerrou a programação do 12º Seminário Internacional de Industrialização da Carne com a palestra “O futuro dos alimentos cárneos”, nesta semana, em Chapecó. O Seminário foi estruturado e coordenado pelo SENAI no campus universitário da Unochapecó e fez parte da programação científica da Mercoagro 2018 – Feira Internacional de Negócios, Processamento e Industrialização da Carne – que encerra na sexta-feira (14).

Diretora de contas na América Latina da Mintel, a palestrante assinala que “o público exige transparência completa e total”. Ao mesmo tempo, os consumidores demonstram seu crescente interesse em comida: “eles gostam de cozinhar tanto quanto de comer”. Observa que o tempo é um recurso cada vez mais precioso e, por isso, os consumidores exigem produtos que proporcionem economia de tempo.

Aline avalia que o mercado da carne vermelha está sendo desafiado. A carne cultivada em laboratório e outros desenvolvimentos baseados na ciência prometem um futuro mais humano com opções de “proteína livres de culpa”. Mostra que consumidores dos Estados Unidos reduzem o consumo semanal de carne vermelha devido a custos, saúde e preocupações éticas. Por isso, a indústria deve priorizar as informações sobre a produção de carnes a fim de tranquilizar os consumidores.

“Alimente a verdade”, recomenda a palestrante, acrescentando que “proteínas animais exigem transparência total e o aumento da conscientização impulsiona demanda por detalhes relacionados à origem do produto”. As pesquisas confirmam esse posicionamento e revelam que os brasileiros estão receosos: 66% acham que as informações nutricionais são difíceis de entender; 18% dos consumidores não acreditam nos benefícios prometidos pelos rótulos; 48% dos usuários de refeições prontas julgam importante que elas sejam embaladas em material transparente; e 36% dos brasileiros dizem que buscam informações sobre a proveniência dos produtos e ingredientes

Simultaneamente, verifica-se um forte crescimento dos lançamentos de alimentos e bebidas veganos. Nesse cenário, a inovação está liderando o caminho a seguir com agricultura celular “carne limpa” (pesquisa e desenvolvimento de carnes cultivadas em laboratório) e proteínas à base de plantas (carne de imitação, produtos lácteos e frutos do mar), entre outras linhas de mudanças e transformações.

Aline mostra que os substitutos à base de plantas estão se tornando mais parecidos com carne e por isso avança o investimento em proteínas alternativas. Lembra que a população global continua crescendo e haverá 1 bilhão de pessoas a mais em 2030. “Ninguém sabe exatamente como será o futuro da comida. É por isso que estamos explorando novas abordagens. Algumas vão agradar mais aos consumidores do que outras, mas acreditamos que todas as tentativas nos levarão adiante com  um planeta faminto por proteína”, conclui.

Fonte : Agrolink