Temperatura é um dos fatores mais importantes na produção

O aumento do rendimento de grãos de milho tem acontecido graças ao avanço tecnológico proporcionado pelo desenvolvimento de híbridos com genética superior. Ao longo dos anos, foi desenvolvida uma enorme diversidade de cultivares de milho, desde hiperprecoces até normais ou tardias, possibilitando o cultivo em diferentes regiões e épocas de semeadura. Aspectos relacionados às exigências da cultura, bem como às condições edafoclimáticas das regiões, deverão ser levados em consideração para que o híbrido expresse o máximo potencial produtivo. 

Em relação à luz, o milho é uma planta com mecanismo C4 de fixação de carbono, respondendo com altos rendimentos a crescentes intensidades de luz. Essa característica do mecanismo C4, associada ao seu alto índice de área foliar (IAF), faz com que a cultura tenha alta eficiência na conversão de energia luminosa em energia química. O aproveitamento ideal da radiação solar é maximizado quando as fases de pré-floração, floração e início do enchimento de grãos coincidem com o período de maior disponibilidade de radiação. Nesse período, a redução da disponibilidade de radiação luminosa ocasiona a diminuição drástica do número e da densidade dos grãos (massa específica). 

Inúmeros estudos apontam que a temperatura constitui um dos fatores de produção mais importantes e decisivos ao rescimento e ao desenvolvimento do milho. Embora a temperatura não seja uma matéria-prima, ela afeta praticamente todos os processos fisiológicos na planta. Para cada processo fisiológico existe uma temperatura mínima, abaixo da qual ele não ocorre, denominada temperatura-base (Tb).  As cultivares disponíveis no mercado apresentam uma temperatura-base que varia de 8°C a 10°C. De forma geral, durante o período vegetativo da planta, considera-se a faixa de temperatura compreendida entre 25°C e 30°C como a ideal para otimizar a atividade fotossintética e as velocidades de crescimento e desenvolvimento.

Por ocasião da semeadura, o solo deverá apresentar-se com temperatura superior a 15°C (ideal: superior a 18°C), aliada à umidade próxima à capacidade de campo, possibilitando o desencadeamento normal dos processos de germinação e emergência. Semeaduras realizadas em regiões mais frias, com temperatura igual ou abaixo de 15°C, propiciam emergência lenta das plantas, o que favorece o ataque de patógenos de solo e reduz o estande, incrementando, consequentemente, a desuniformidade de emergência. Com a aceleração desses eventos pela ocorrência de temperaturas mais altas, é verificada uma redução do número de dias necessários para que a cultura atinja o estágio de floração.  A temperatura do solo é a variável determinante das velocidades de crescimento e desenvolvimento da planta até o estádio V4, pois o meristema apical está abaixo da superfície do solo. De V5 até VT, a velocidade de crescimento e desenvolvimento é determinada principalmente pela temperatura atmosférica.   

A água constitui um dos mais importantes elementos climáticos, pois desempenha múltiplas funções na fisiologia das plantas. O conhecimento das necessidades hídricas das plantas de milho é fundamental para o planejamento e o manejo da água na agricultura irrigada e não irrigada. A cultura do milho exige entre 400 mm e 600 mm de precipitação, bem distribuídos ao longo do ciclo, para que produza satisfatoriamente, sem a necessidade da utilização da prática de irrigação. A fase da cultura do milho em que o consumo de água é máximo é do pendoamento ao espigamento. Esse período é o de maior sensibilidade da cultura à deficiência hídrica.

Assim, o efeito mais pronunciado do déficit hídrico na produção de grãos ocorre no período de 15 dias antes e 15 dias após o florescimento, o qual é denominado período crítico da cultura (Durães et al., 2004). O conhecimento desse período crítico, ou seja, período de máxima sensibilidade ao fator água, bem como das respostas das plantas à disponibilidade hídrica no solo, possibilita a adoção de práticas de manejo que visam à otimização do uso da água na agricultura. No caso de áreas irrigadas, a irrigação deve ser feita prioritariamente durante o período crítico da cultura, quando haverá maior eficiência da suplementação hídrica.

Por fim, nota-se que o Brasil é um país altamente competitivo na produção de milho, o qual é favorecido pelas condições agroclimáticas e técnicas de cultivo existentes. O clima pode ser considerado o fator de maior risco, que contribui definitivamente para o sucesso da cultura. A intensidade com que a cultura do milho expressa seu potencial genético é determinada principalmente, pela sua interação com o regime de radiação solar, com a temperatura e com as características físico-hídricas do solo. O zoneamento agrícola de risco climático tem sido uma estratégia importante para alcançar altas produtividades de milho. Relacionar as exigências do milho, da emergência à maturação fisiológica, com a sua fenologia, ajuda a definir a melhor época de plantio e evitar as consequências de veranicos, além de otimizar o uso de insumos, fertilizantes, inseticidas, fungicidas e herbicidas. 

Para saber mais sobre os estádios fenológicos de desenvolvimento do milho, exigências climáticas para o bom crescimento e desenvolvimento da cultura, definição dos componentes de rendimentos de grãos, assim como principais práticas realizadas no manejo da cultura visando altas produtividades confira o curso Fenologia e ecofisiologia do milho para altos rendimentos disponível na plataforma elevagro.com

Conteúdo desenvolvido pelo Elevagro. 

Fonte : Agrolink